História e Cultura

História de Chapada dos Guimarães
Da Pré-História aos Dias Atuais

Das pinturas rupestres à criação do Parque Nacional — conheça a trajetória histórica, cultural e ambiental de um dos municípios mais antigos do Mato Grosso.

Igreja de Chapada dos Guimarães

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Uma cidade com séculos de história no coração do cerrado

Chapada dos Guimarães é muito mais do que cachoeiras e trilhas. É uma cidade com séculos de história, moldada por povos indígenas, bandeirantes, colonos e, mais recentemente, por uma comunidade comprometida com a preservação ambiental. Seu território guarda pinturas rupestres, igrejas coloniais, casaroeses históricos e paisagens que fazem parte do patrimônio natural do Brasil.

Compreender a história de Chapada é enriquecer profundamente a experiência de visitar a região. Cada formação rochosa, cada cachoeira e cada rua do centro histórico ganha um novo significado quando vista sob a perspectiva dos séculos que moldaram esse lugar único no Mato Grosso.

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Linha do tempo

A trajetória histórica de Chapada dos Guimarães

Pré-história

Pinturas Rupestres e Primeiros Habitantes

A ocupação humana na região de Chapada dos Guimarães remonta a milhares de anos. Pinturas rupestres encontradas em abrigos e paredões rochosos da Chapada revelam a presença de grupos pré-históricos que habitavam o cerrado mato-grossense muito antes da chegada dos europeus. Essas manifestações artísticas registradas em pedra — figuras geométricas, animais e cenas cotidianas — constituem um dos registros arqueológicos mais relevantes do Centro-Oeste brasileiro e atestam a profundidade histórica da região.

Séculos XVI–XVII

Povos Indígenas: Bororo e Pareci

Antes da colonização portuguesa, o planalto da Chapada era habitado principalmente pelos povos Bororo e Pareci. Os Bororo, conhecidos por sua sofisticada organização social e rica cultura ritual, ocupavam as várzeas e chapadas do Mato Grosso. Os Pareci dominavam as terras altas do planalto e mantinham redes de troca com outros grupos. Ambos os povos conviveram — e conflitaram — com os colonizadores ao longo dos séculos seguintes, sendo progressivamente deslocados de seus territórios ancestrais.

Início do Século XVIII

Bandeirantes e a Corrida pelo Ouro

A chegada dos colonizadores europeus ao interior do Mato Grosso ocorreu impulsionada pela busca por ouro e pedras preciosas. Bandeirantes paulistas penetraram as matas e chapadas do Centro-Oeste em expedições extenuantes, abrindo caminhos que se tornariam rotas de colonização. A descoberta de ouro no Mato Grosso no início do século XVIII desencadeou um fluxo migratório intenso, estabelecendo arraiais e vilas nas imediações das jazidas minerais. A região de Chapada dos Guimarães ficou no caminho dessas expedições, tornando-se ponto de parada e, posteriormente, de assentamento permanente.

Meados do Século XVIII

Fundação da Vila

Chapada dos Guimarães é uma das vilas mais antigas do Mato Grosso, com fundação que remonta à segunda metade do século XVIII. O assentamento surgiu como arraial no contexto da mineração, aproveitando a altitude e o clima mais ameno do planalto em contraste com o calor intenso de Cuiabá, distante cerca de 65 quilômetros. A posição estratégica e a qualidade do solo favoreceram o desenvolvimento de atividades agropecuárias que sustentaram a comunidade mesmo após o declínio do ciclo do ouro. O nome "Guimarães" presta homenagem a famílias de colonizadores que se estabeleceram na região.

Século XVIII

Igreja de Nossa Senhora de Santana

O marco arquitetônico mais importante de Chapada dos Guimarães é a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Santana, construída no século XVIII e tombada como patrimônio histórico nacional pelo IPHAN. Erguida em estilo colonial brasileiro, com fachada singela e torre lateral, a igreja representa a fé e a resistência dos primeiros colonizadores. Seu interior guarda imagens sacras do período colonial e uma atmosfera de devoção preservada por séculos. A igreja permanece ativa e é ponto de referência espiritual e cultural para a comunidade local.

Séculos XIX–XX

Cidade Serrana e Refúgio do Calor

Ao longo dos séculos XIX e XX, Chapada dos Guimarães consolidou-se como cidade serrana e destino de descanso para famílias abastadas de Cuiabá, que buscavam escapar do calor sufocante da capital mato-grossense durante o verão. O clima ameno, a água abundante e a paisagem exuberante do cerrado tornaram a Chapada um refúgio natural apreciado. Ao mesmo tempo, a pecuária e a agricultura familiar sustentavam a economia local. O município desenvolveu uma identidade própria, com festas tradicionais, culinária regional e uma vida comunitária singular.

1989

Criação do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães

O ano de 1989 marcou um divisor de águas na história de Chapada dos Guimarães com a criação do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães pelo IBAMA, durante o governo José Sarney. O parque protege uma área de mais de 33 mil hectares de cerrado nativo, incluindo o canyon do Rio Coxipó, a Cachoeira Véu de Noiva — com seus 86 metros de queda —, a Cidade de Pedra e diversas nascentes. A criação da unidade de conservação reconheceu a excepcional biodiversidade e o valor paisagístico da região, impulsionando o ecoturismo e transformando Chapada dos Guimarães em destino de relevância nacional.

Atualidade

Chapada Hoje: Ecoturismo e Crescimento Sustentável

Hoje, Chapada dos Guimarães é um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil, recebendo centenas de milhares de visitantes por ano. O turismo tornou-se a principal atividade econômica do município, gerando empregos em pousadas, restaurantes, agências de turismo e serviços de guia. O desafio atual é conciliar o crescimento do turismo com a preservação ambiental e cultural — tema que mobiliza moradores, gestores e turistas comprometidos com um desenvolvimento verdadeiramente sustentável. A Chapada segue sendo, ao mesmo tempo, destino de aventura, refúgio de natureza e guardiã de uma história rica e plural.

Patrimônio Arquitetônico

Edifícios e monumentos que narram séculos de história

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Santana

Patrimônio Nacional

Tombada pelo IPHAN, a Igreja de Nossa Senhora de Santana é o mais importante monumento colonial de Chapada dos Guimarães. Construída no século XVIII em estilo colonial brasileiro, exibe fachada simples e austera, típica das igrejas do interior do Mato Grosso colonial. Seu interior guarda imagens sacras históricas e retrata a fé dos primeiros colonizadores que fixaram raízes no planalto. A padroeira Santana é celebrada anualmente com uma festa popular que une devoto e foliada, cultura e tradição.

Localização: Praça D. Wunibaldo, centro de Chapada dos Guimarães — visível de vários pontos da cidade.

Casaroões e Centro Histórico

Além da igreja, o centro histórico de Chapada dos Guimarães preserva casaroões do período colonial e republicano, com arquitetura típica do interior mato-grossense. As construções em adobe e madeira revelam técnicas construtivas tradicionais e modos de vida de comunidades que se estabeleceram na região entre os séculos XVIII e XIX. Um passeio a pé pelas ruas centrais da cidade é, em si, um roteiro de história viva — com fachadas, muros e calçamentos que resistem ao tempo.

Dica: Faça o passeio no período da manhã, quando a luz valoriza as fachadas antigas e o movimento de turistas é menor.

O Ponto Geodésico e Seu Significado Histórico

Marco Científico

Chapada dos Guimarães abriga o Mirante e Ponto Geodésico, considerado historicamente o centro geográfico da América do Sul — embora cálculos mais recentes apontem coordenadas ligeiramente distintas. A medição original, realizada por geógrafos e cartógrafos, projetou a Chapada como referência continental, adicionando uma camada simbólica única ao destino. O mirante próximo ao ponto geodésico oferece uma das vistas mais abrangentes do planalto, com o cerrado se estendendo até o horizonte. É também um dos pontos mais visitados e fotografados da região.

Curiosidade: O marco geodésico no mirante sinaliza as coordenadas registradas históricamente. Vale visitar ao entardecer para o pôr do sol sobre o planalto.

Povos originários

Culturas Indígenas da Região

Povo Bororo

Os Bororo habitavam as planícies e chapadas do Mato Grosso antes da colonização europeia. Conhecidos por sua complexa organização social — dividida em clãs com funções específicas — e por seus elaborados rituais fúnebres, os Bororo desenvolveram uma cultura rica em pintura corporal, plumagem e mitologia. Sofreram fortemente com a colonização, que reduziu drasticamente seu território e população. Hoje, grupos Bororo vivem em terras indígenas demarcadas no Mato Grosso, preservando elementos de sua língua e cultura ancestral.

Povo Pareci

Os Pareci dominavam o planalto da Chapada e as terras altas do Mato Grosso, sendo agricultores hábeis que cultivavam mandioca, milho e outros alimentos. Mantínham redes de comércio e alianças com outros povos da região. Com a chegada dos bandeirantes, os Pareci foram progressivamente escravizados e deslocados de suas terras. Apesar do impacto devastador da colonização, os Pareci resistiram e hoje constituem uma das etnias mais numerosas do Mato Grosso, preservando sua língua da família Aruak e várias práticas culturais.

Pinturas Rupestres: Memória da Pré-História

Antes mesmo dos povos Bororo e Pareci, grupos pré-históricos deixaram registros de sua presença em abrigos rochosos e paredões de arenito da região de Chapada dos Guimarães. As pinturas rupestres encontradas na área — com figuras geométricas, animais e cenas de coti diano — datam de milhares de anos e representam as mais antigas evidências de ocupação humana no local.

Esses registros são estudados por arqueólogos e antropólogos que buscam compreender as rotas de migração e os modos de vida das populações pré-históricas da América do Sul. A preservação desses sítios arqueológicos é fundamental e está amparada pela legislação brasileira de proteção ao patrimônio cultural.

Natureza e conservação

Chapada e o Cerrado — Patrimônio Natural

O cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul e um dos mais ameaçados do planeta. Chapada dos Guimarães representa um dos últimos grandes rem anescentes de cerrado bem preservado, com sua biodiversidade extraordinária de plantas, aves, mamíferos e insetos. O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, criado em 1989, protege um território de mais de 33 mil hectares que inclui nascentes fundamentais para bacias hidrográficas do Centro-Oeste brasileiro.

A história humana da Chapada está intrinsecamente ligada ao cerrado. Povos indígenas retiravam do bioma alimentos, medicamentos e matérias-primas para artesanato. Colonizadores aproveitaram a madeira e os recursos minerais. Hoje, o desafio é compreender que a preservação ambiental não é oposta ao desenvolvimento — ela é sua pré-condição, especialmente em uma economia baseada no ecoturismo.

Biodiversidade Única

Mais de 10.000 espécies vegetais catalogadas no cerrado, muitas endêmicas — ou seja, existentes apenas neste bioma.

Nascentes Estratégicas

A Chapada abriga nascentes que alimentam rios das bacias do Araguaia, Paraná e Paraguai, essenciais para o abastecimento regional.

Parque Nacional

33 mil hectares protegidos desde 1989, com canyon, cachoeiras, veredas e campos limpos de cerrado genuinamente conservado.

Fauna Ameaçada

Habitat do lobo-guará, tatu-canastra, onça-parda e centenas de espécies de aves que dependem da preservação do bioma.

1989 até hoje: Parque Nacional e Turismo Sustentável

A criação do Parque Nacional em 1989 foi um marco divisor na história recente de Chapada dos Guimarães. A unidade de conservação, administrada pelo ICMBio, trouxe regulamentação para o acesso às áreas mais sensíveis, a obrigatoriedade de guias credenciados e limites de capacidade de carga nos atrativos. Essas medidas, embora inicialmente geradoras de tensões com parte dos moradores, provaram-se fundamentais para a longevidade do destino.

O turismo cresceu consistentemente nas décadas seguintes, atraindo visitantes de todo o Brasil e do exterior. Pousadas, restaurantes, agências de turismo e artesãos formam hoje um ecossistema econômico que depende diretamente da conservação ambiental. A Chapada é um dos raros exemplos brasileiros em que natureza e economia local caminham, com esforço, na mesma direção.

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Próximo passo

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